03 novembro 2012
Ainda será preciso dizer mais alguma coisa?
07 setembro 2012
Mais Respeito pelas Pessoas
01 abril 2012
Estão a fechar! Estão a fechar-nos!
29 setembro 2011
O Despedimento banalizado
15 abril 2011
E agora José ? (I)
É que o Zezinho, entretanto, cresceu e já não precisa de histórias para adormecer. Para adormecer, precisava era de andar mais tranquilo com tudo o que se está a passar neste país. Agora, o Zezinho é o Sr. José (Zé Povinho). Por isso, deixemo-nos de histórias e vamos ao que interessa.
Temos presente a recente cavalgada da taxa de juros, sempre que o Estado colocava dívida no mercado financeiro. Estranha cavalgada? Nem tanto. O ritmo da subida era atribuído ao comportamento das agências de rating, o que é verdade. Neste comportamento há elementos que nos podem surpreender e outros que nem por isso. Surpreende-nos a violação das regras de funcionamento dos mercados:
1. Concentração (lembram-se do que a União Europeia fez à Microsoft; porque não fez nada em relação às agências?);
2. Conflitos de interesses entre o comportamento das agências e dos seus accionistas (os accionistas investem em dívida cujo preço as agências aumentam);
3. Falta de transparência nas decisões (ninguém conhece quais são os critérios de que se servem para mudarem as notações);
4. Ausência de proporcionalidade entre as notações e as razões genéricas que invocam (a maior dificuldade dos países em poderem reembolsar a dívida; sabemos como aumentaram os juros no período de pouco mais de um mês, sem que nada de substancial quanto ao nível da dívida e quanto à robustez da economia se tivesse alterado).
A denúncia destes comportamentos está a ser feita aqui. Todos os que com ela estiverem de acordo podem subscrevê-la.
Perante estas violações, no espaço europeu, o que fez a União Europeia e os Estados que poderiam fazer alguma coisa? Nada! E porquê? Só há uma explicação: tinham interesse em que as coisas se passassem assim, porque eles próprios, as suas instituições ou os seus nacionais também são investidores na dívida.
Para além destas violações não me surpreende o comportamento das agências porque, na ausência de regulação, quando os Estados que recorrem à colocação de dívida se encontram em situação semelhante à da mosca na teia, elas mais não fazem do que prestar um bom serviço aos seus clientes.
Talvez o que surpreende é a razão pela qual as agências, de um momento para o outro, começaram a recomendar (ou a exigir) que Portugal fizesse o resgate da dívida (empréstimo que garante o pagamento da dívida). É que havendo resgate deixa de haver colocação de dívida no mercado (pelo menos ao mesmo ritmo que anteriormente) e, em consequência, deixa de haver possibilidade de continuar a ganhar com as manobras das notações.
A explicação é muito simples: as agências levaram até à exaustão a capacidade de pagamento do país e, quando começaram a perceber que poderia estar em dúvida o reembolso, trataram de se precaver. Conclusão: a chamada ajuda externa que por aí se está a negociar é ajuda para eles e seus clientes, mas quem paga somos nós.
E as agências vão agora ficar desempregadas? Elas, não, muitos dos portugueses, talvez. E porque não, as agências de rating? Também aqui se pode destapar a iguaria. A razão é a de que os investidores internacionais consideram que os investimentos na economia real são pouco rentáveis e desviam os capitais disponíveis para aplicações do mercado financeiro, mais rentáveis e mais facilmente manobráveis, como vimos acima.
Daqui resulta um extraordinário volume de liquidez no mercado que, pela sua natureza, é avesso à ausência de aplicações. O que vão fazer? Vão procurar identificar um país (Espanha, Bélgica, ou outro?) onde identifiquem maiores debilidades financeiras e, depois, mais nada há que fazer do que aplicar a estratégia da aranha.
06 março 2011
Cá temos, o Março, outra vez!
No entanto, também, é verdade que, com grande frequência, nos surge como portador de vida e de nova esperança. Por alguma razão é nele que começa a Primavera com tudo o que encerra de brotar de novo, de nascimento e de criação. E, virar o rabo, se é razão de escândalo para alguns, também tem sido sinal despertador de que há coisas que vão mal e que importa mudar.
Vale a pena recordar, que o dia 12 de Março foi, no ano já longínquo de 1572, o dia da publicação da 1ª edição dos Lusíadas, que celebram o grande feito daqueles que “se vão da lei da morte libertando”. Que no dia 12 de Março de 1930 se iniciou a Marcha do Sal, liderada por Mahatma Gandhi. O dia 24 de Março é, desde há muitas décadas, o “Dia do Estudante”, onde muitas gerações de estudantes têm gritado a sua ânsia de liberdade e a sua vontade de um futuro melhor. E já agora, porque a crise vai minando as entranhas da maioria dos portugueses, porque não recordar a nacionalização dos bancos na Islândia e o nosso 11 de Março.
Mas vamos ao que mais me trouxe aqui, e o que mais me trouxe aqui foi o próximo 12 de Março e a convocação de uma manifestação em torno do tema da designada “geração à rasca” que, desse modo, quer mostrar que de rasca pouco tem, porque quer tomar nas suas mãos o respectivo futuro.
São muitas as motivações que mobilizam para a manifestação. Vou-me centrar sobre a questão do emprego dos jovens. São conhecidas as suas principais dimensões: o volume do desemprego e a sua precariedade, tanto em termos de duração como de remuneração. Em termos de volume, o desemprego dos jovens já ultrapassa os 46% do total (perto de 290 000), sem contar com as encapotadas formas de desemprego que são os empregos precários e os estágios não remunerados. Perante os horizontes de vida sem futuro, de tantas centenas de milhares de jovens, não podemos senão estar solidários com quem ainda mobiliza energia para ambicionar uma outra vida.
Estes são os resultados, mas tão ou mais importantes que os resultados são as razões que os explicam. As causas são múltiplas e não teremos todos o mesmo ponto de vista, mas importa ir buscá-las para além do que pode ser visto no calor da refrega.
São múltiplas as dimensões em que pode ser analisado o emprego dos jovens, hoje, em Portugal. Vou centrar-me sobre a questão do desemprego qualificado. Há uma aparente contradição entre as afirmações de que:
- Em Portugal, continuamos a uma distância significativa dos outros países europeus, em termos do peso relativo do número de doutorados e de licenciados;
- Os doutorados e licenciados possuem, em Portugal, um grau de empregabilidade inferior ao existente em outros países.
Fica, assim, a questão de saber se devemos ter, ou não, mais doutorados e licenciados. Sem dúvida que sim. A resposta pode ser encontrada através desse instrumento de mágica que os economistas utilizam e que se chama “oferta e procura”, neste caso de quem procura emprego e de quem oferece emprego.
Pode haver desemprego, porque a procura é superior à oferta, ou não se adequa às características da oferta revelada; mas também pode haver desemprego, porque é a oferta que é insuficiente face aos recursos disponíveis; ou, então, ambas as razões.
Na grande maioria das análises que têm sido publicitadas, entre nós, sublinham-se, sempre as insuficiências do lado da procura e raramente as que vêm do lado da oferta, por ex.: os jovens qualificados estão pouco disponíveis para realizar a aprendizagem inicial no ambiente empresarial; as suas qualificações não correspondem às que são exigidas pelo mercado do trabalho; não estão disponíveis para o trabalho duro, persistente; não querem assumir riscos nem estão disponíveis para assumir posturas de liderança; finalmente, não possuem “atitude” (sabe-se lá o que isto é!).
Estranhamente, nenhuma das brilhantes mentes que têm enchido os ecrãs de televisão e não só, se lembra de reflectir sobre a circunstância de mais de 95% do nosso tecido empresarial ser composto por pequenas e médias empresas, quase sempre caracterizadas por níveis tecnológicos de evolução muito lenta e por empresários com grandes dificuldades em se adaptar às novas formas de inserção nos mercados internacionalizados. Assim sendo, custará assim tanto a aceitar que uma grande parte da explicação da existência de desemprego qualificado reside do lado da oferta e não, sobretudo, do lado da procura?
É curioso, além do mais, lembrar um argumento apresentado, há dias, por um professor de economia, na televisão, sobre esta questão. Dizia ele que na sua escola os diplomados não tinham desemprego, sugerindo, assim, que se havia desemprego com os das outras escolas era porque a formação que obtinham não tinha a qualidade suficiente. Este professor esqueceu-se de colocar uma questão elementar: será que se os diplomados das outras escolas tivessem todos a tal qualidade que ele imputava aos alunos da sua, o desemprego desapareceria?
Claro que não, porque a insuficiência continuaria a vir do lado da oferta de emprego.
Esta é mais uma razão pela qual vale a pena ter ânimo e estar atento às mensagens que vão estar presentes no próximo dia 12 de Março.