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13 fevereiro 2012

Aprender com a História

Não pode esperar-se que a solução para a actual crise sistémica por que passam as economias ocidentais (e ocidentalizadas) do século XXI venha apenas da ciência económica e, muito menos, da sua deriva neo-liberal. Deste modo, é mais do que oportuno convocar outras disciplinas das Ciências Humanas para abordar as múltiplas e complexas disfuncionalidades notórias do sistema. A História, em particular, poderá dar um contributo importante.

Vem este comentário a propósito do livro de um autor americano, Brad S Gregory, recentemente publicado com o título The Unintended Reformation: How a Religious Revolution Secularized Society. A obra está editada pela Harvard University Press e, certamente, beneficia do prestígio do seu autor e da editora.

Ao longo de mais de meio milhar de páginas, o autor, que é Professor da Notre Dame University de Indiana aborda a questão da Reforma e a influência que aquele movimento teve na secularização das sociedades ocidentais e na exaltação do individualismo, da riqueza e do lucro, traves mestras da economia moderna.

Assumindo, explicitamente, uma perspectiva cristã, Brad Gregory defende que só a religião – devidamente entendida como doutrina da solidariedade – pode permitir que a humanidade escape aos riscos da presente crise que são, simultaneamente, a grande pobreza e o excesso de produção e riqueza.

Para o historiador, o cristianismo é, fundamentalmente, uma mensagem acerca da vida em comum, como lembra a encíclica Deus caritas est. Assim sendo, a novidade do cristianismo consiste não apenas na conversão pessoal ao amor ao próximo, mas na capacidade de demonstrar que o amor recíproco anunciado por Cristo é fundamento para construir novas relações sociais e comunidades fraternas baseadas na responsabilidade. [ Ver mais ]
Mensagem actualizada em 14.02.2012 - 14:50H

13 outubro 2010

Crisis and Recovery: Ethics, Economics, and Justice

The discovery of a new book (title noted above), edited by Rowan Williams, Archbishop of Canterbury, and Larry Elliott, Economics Editor of the Guardian, has given me hope in these dim times, for new thoughts are being put forth, thoughts that if multiplied, may help bring us out of our financial morass.

Archbishop Williams has long encouraged a reflection on society. In his Foreword, he questions the kind of society we have become and the kind of human person we have been encouraging, one that rewards “behaviors that are destructive and corrosive of a humane culture.” He points to a state “unduly obsessed with regulation and control because it has lost the art of educating critical and independent citizens.” He laments our abuse of the planet and questions our conviction that conflict and profit are our driving force. He states that the challenges of the financial crisis require that we broaden our horizons dramatically and calls this a time to “reclaim economics for the humanities.” He highlights the book, Civil Economy, by Luigino Bruni and Stefano Zamagni, both of whom are known to some of us for the important work they have done among the Focolarinos, proponents of ecumenical dialogue and an economy of communion.

Other than the excellent analysis by Larry Elliott of the financial crisis and the high quality of the various contributions to the book and their creative and thought provoking content, it is encouraging to see that the authors come from different backgrounds: academia, investment banking, government policy, financial supervisory authority, trade unions, and environmental journalism, but all with “moral and religious seriousness,” as Archbishop Williams writes. These are times not for division, but constructive collaboration. There is a call for humility and a re-education process. The goal is to return finance back to its proper place, and we all have a role to play.

18 agosto 2010

Lucros e Emprego

"Adicionar lucros, subtrair trabalhadores"
É este o título sugestivo de um artigo de opinião (no Público de 8/8/10) do colunista do Washington Post Steven Pearlstein. Não o vou comentar. Mas vale a pena ver: tem coisas polémicas e que merecem discussão, e tem também análise de medidas tomadas pela Admistração Obama que mostram como, mesmo sem "superação do sistema" (de que Obama está, obviamente muito longe) a intervenção do Estado salvou muito da economia americana - um exemplo analisado por S. Pearlstein é o da indústria automóvel, a recuperar claramente após a intervenção na Chrysler e na GM.
Mas quanto às "coisas polémicas" merecia uma boa discussão esta: "...Só no mundo da propaganda da Câmara do Comércio é que as empresas existem para criar emprego. No mundo real, as empresas existem para criar lucros para os accionistas, não empregos para trabalhadores. É por isso que se chama capitalismo e não empreguismo": destaque meu, mas que não significa concordância, assim como quanto à finalidade das empresas, e basta pensar quer no "social business" (na perspectiva de Yunus) quer na economia social...

Fortunas e PIB

No passado 6/8, no Público, António Vilarigues intitulava assim o seu artigo de opinião:
As fortunas das QUATRO famílias portuguesas mais ricas totalizam 7,4 mil milhões de euros (quase metade do défice!!!) e depois vinha o título propriamente dito do artigo:
A culpa é do "sistema"
Fiquei a pensar: metade do défice é muita "massa"! Mas, pensando um pouquito mais: não é bem assim, o património não é propriamente rendimento...mas há património que esse, sim, pode dar e, às vezes (ou muitas vezes?...) dá mesmo muito rendimento! Ora, suponhamos que o défice anda um pouco acima dos 9% do PIB: "quase metade do défice" serão cerca de 4,5%. É muito! Não: e então a tal história do rendimento? Façamos, pois, um pouco mais de suposições: talvez uns 20% de rendimento desse tal património "movimentável" seja mesmo rendimento e poderia ajudar as "finanças públicas", através do tal imposto extraordinário sobre as grandes fortunas ou até ( por causa do "ai Jesus! que o capital foge!"...) sobre o rendimento proveniente de mais valias ou até (deixemos agora em paz "as grandes fortunas") vindo de um IRC sobre a banca igual ao que se aplica às restantes empresas ou ainda através de um mais actuante contole fiscal sobre os mais de 60% de empresas que dizem que não têm resultados.
Depois de, no fim do artigo, "utilizando uma conhecida expressão de "futebolês", Vilarigues concluir que "a culpa é do sistema" e acrescentar "A "solução passa pela sua superação", eu acho que não é preciso esperar tanto: medidas tais como as referidas acima já ajudariam e muito. Claro, que Portugal sozinho pouco pode, até porque o capital é muito "volátil"...
ps: 20% de 4,5% dá quase 1% do défice e isso é muito euro!...