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29 novembro 2012

Portugal em Mudança
Diversidades. Assimetrias.Contrastes

É de louvar a iniciativa do Instituto de Ciências Sociais que, durante dois dias, em Lisboa, debateu o tema Portugal em Mudança. Tratou-se, na maior parte das intervenções, de dar a conhecer resultados de projectos de investigação em curso naquele Instituto universitário acerca das transformações socioeconómicas que ocorrem ou irão ocorrer em Portugal e das trajectórias políticas que a elas conduzem ou conduzirão.

É um interessante sinal dos tempos este de a Universidade afirmar a sua responsabilidade social, disponibilizando saber e formação à comunidade. Com efeito, é fundamental que o conhecimento científico não fique confinado aos gabinetes que o produz e partilhado apenas entre um reduzido número de especialistas de cada área científica.

Para que tal não suceda, não basta, porém, que os cientistas produzam conhecimento e estejam disponíveis para o difundirem. Importa, igualmente, que haja mediadores que transmitam esse conhecimento aos cidadãos, de modo a fomentar uma cidadania mais informada e esclarecida e, assim, também melhor habilitada a formular juízos críticos sobre a realidade socioeconómica em profunda e acelerada mudança e, por essa via, também mais capaz de fundamentar as suas opções individuais e colectivas.

Particular destaque merece a indispensável evolução de mentalidade por parte das administrações e dos decisores políticos no sentido de que queiram aproveitar do conhecimento científico para melhor fundamentar e definir as suas decisões.

Vivemos tempos de grande turbulência no presente e incerteza quanto ao futuro e é grande o risco de os responsáveis políticos optarem por uma navegação à vista, servindo-se de receitas anacrónicas, acríticas e falaciosas, sem cuidar do horizonte do médio e longo prazo e da procura de correspondentes soluções inovadoras á altura do desenvolvimento de que o país carece. O conhecimento científico deve procurá-las e nas universidades portuguesas existem recursos para o fazer.

Aos decisores políticos, no governo ou na oposição, competirá aproveitar estes recursos. Por exemplo: por que não envolver na reflexão pública acerca do estado social os institutos universitários com conhecimento científico nesse domínio? Por que não uma missão conjunta para a elaboração de uma estratégia consensual de desenvolvimento a médio prazo? 

27 novembro 2011

Caridade Intelectual e Diakonia da Verdade

Foi com esta expressão que o Papa Bento XVI sintetizou a missão dos cristãos na Universidade, num discurso proferido em 2008, em Washington, na Universidade Católica da América.
O tema é retomado por D. Virgílio do Nascimento Antunes, Bispo de Coimbra, na alocução que dirigiu aos docentes e investigadores da Universidade de Coimbra, no passado dia 24 de Novembro.
São muito oportunas estas palavras de D. Virgílio Nascimento Antunes, pois chamam a atenção para o papel relevante da Universidade na busca de caminhos que procurem responder aos desafios com que se defronta o mundo contemporâneo e, em particular, a sociedade portuguesa deste primeiro quartel do século XXI. De seguida transcrevemos algumas passagens deste discurso que vale a pena ler na íntegra.

A Universidade ocupa um lugar insubstituível na sociedade portuguesa e no mundo moderno e espera-se dela um trabalho profundo ao serviço da verdadeira universalidade. Numa sociedade “vacilante e instável”, como lhe chamou o Papa Bento XVI, e num mundo de pensamento débil ao qual faltam grandes referências, espera-se dos homens do conhecimento e da cultura um contributo sério para o reencontro da humanidade consigo mesma e com os seus valores fundamentais.
As grandes ideologias fragmentaram-se e diluíram-se, desde o marxismo, ao cristianismo, passando por diversos humanismos e ficou um grande vazio, que muitos apresentam como uma característica deste tempo. De novo, surgiram apenas algumas ideologias radicais, fixadas em aspectos parciais da realidade, a abranger pequenas franjas da sociedade e sem capacidade de consensos alargados.
Passámos da afirmação dos valores universais à dos valores definidos pelas maiorias segundo as regras do referendo democrático e estamos agora a chegar a uma ainda maior fragmentação sob a pressão dos grupos minoritários radicais ou lobbys, antecâmara do individualismo mais refinado, segundo o qual cada um constrói as suas próprias referências de modo totalmente independente.
Neste contexto, é justo esperar da Universidade um contributo para o amadurecimento da humanidade, que a ajude, por um lado a superar o vazio de valores e a falta de horizontes, e por outro, a encontrar motivações fortes e capazes de determinar objectivos comuns e razoáveis.
A Universidade tem uma imensa responsabilidade quando se trata de fornecer à sociedade os conteúdos, os meios e os critérios capazes de dar forma a perspectivas de futuro verdadeiramente responsáveis, justas e assentes no recto uso da razão. Pela via do conhecimento e do saber, enquanto condições para o desenvolvimento, ela tem capacidade para criar uma nova mentalidade, um novo modelo de sociedade, uma nova cultura.