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01 março 2011

Quem Manda No Mediterrâneo?


No tempo da Roma imperial, os romanos chamavam Mare Nostrum ao Mar Mediterrâneo. Eles dominaram com efeito essa zona estratégica, ao Norte e ao Sul, ao Ocidente como a Oriente. É interessante pensar como uma região relativamente pequena do planeta exerceu durante séculos uma influência tão determinante na cultura e nas civilizações criadas pelos seres humanos nas peripécias da sua História. Mas hoje, dos dois lados do Mediterrâneo, tão próximos na Geografia mas aparentemente mais incomunicáveis e separados do que nunca, registam-se profundas convulsões de significado e destino incertos.
Pondo agora entre parêntesis a questão económica, olhemos antes o tema das grandes religiões. O cristianismo foi, durante séculos, a religião marcante do homem ocidental, em particular nos países ditos «desenvolvidos» da Europa e da América. Estima-se que nos começos do século passado, mais de 70% dos cristãos estivessem localizados nos países do Atlântico Norte, e menos de 30% no Sul. Hoje em dia, estas proporções inverteram-se, o Cristianismo murchando nos países de maior pujança económica, em particular na Europa, e renascendo na América do Sul e na África. E o Vaticano, como símbolo do poder formal da Igreja Católica, perdendo significado e relevância.
O islamismo, por outro lado, apresenta-se como a outra grande religião do planeta e, ao contrário do cristianismo, aparenta grande vitalidade, embora surgindo por vezes ao serviço de causas sinistras e usando meios terroristas que, por todo o lado, além do mais servem de pretexto para subordinação da ordem democrática às preocupações de segurança.
Como interpretar neste contexto, a inesperada avalanche de contestação popular em países do Norte de África, diferenciados entre si, mas ao menos tendo de comum regimes autoritários tolerados, ou mesmo apoiados pelas democracias ocidentais? E que agora, com alguma hipocrisia, se apressam a denunciar os abusos desses regimes?
Além do mais, creio tratar-se dum enorme desafio à mais profunda religiosidade do ser humano, seja qual for a expressão formal da mesma.
Pois afinal, trata-se de saber se acreditamos num Deus que é, acima de tudo, garante e suporte da liberdade e da solidariedade humanas ou, pelo contrário, se nos servimos da sua imagem para oprimir, ou mesmo destruir, todos os outros que não servem os nossos interesses.

11 janeiro 2011

Que grande desafio!

O “post” de ontem de Mário Murteira “2011, UMA ODISSEIA NO ESPAÇO” termina com um grande desafio para que os cristãos do Século XXI descodifiquem a sua fé “num Cristo determinante na História humana” de modo a que, em vez de “um objecto insólito”, essa fé seja algo “ao serviço, verdadeiramente, duma Nova Economia, que será também, necessariamente, uma Nova Sociedade”.
Penso que é o que vamos tentando fazer neste blog. Mas logo que vi o “post”, ocorreu-me pegar na encíclica “Caridade na Verdade”, não sem antes ter esboçado a seguinte sequência de palavras e expressões:
Cristo;
“O homem – Deus – ou o sentido da vida” (de Luc Ferry”, original francês de 1996 , ed. Grasset);
“humanização do divino e divinização do humano” (evolução do contexto sociocultural do cristianismo desde o século XVIII até aos dias de hoje, segundo L. Ferry);
“desenvolvimento humano” no sentido da “plenitude” (transcendente, para uns, inalcançável, para todos, mas por isso mesmo sempre procurado e procurada…);
dignidade humana, valor síntese, (mas que, na fé cristã, decorre de Cristo “Deus-Homem”);
“Nova Sociedade”;
“Nova Economia” (propositadamente, altero a ordem que têm no texto de Mário Murteira).
Peguei então na encíclica e no capítulo III intitulado “Fraternidade, Desenvolvimento Económico e Sociedade Civil” que começa por realçar a importância do dom e da gratuitidade, retiro para destacar, citando, o seguinte excerto:
Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuitidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum nos seus diversos sujeitos e actores. Trata-se, em última análise, de uma forma concreta e profunda de democracia económica. (nº 38)
E como, neste blog, temos dado destaque ao conceito de democracia económica, por aqui me fico. Isto não é mais que um grão de areia para tamanho desafio!