Talvez os meus colegas já saibam do Blogue de Martin Wolf do FT, um dos melhores analistas do nosso sistema económico.
24 agosto 2010
21 agosto 2010
What is in a name?
Entendi que vamos discutir o nome do Blogue na nossa próxima reunião, em Setembro.
Concordo com o Ulisses que o sucesso do Blogue vai depender da contribuição dos participantes.
Portanto, penso que “A Areia dos Dias” , para além da sua qualidade poetica, é um bom nome. Em ingês, temos a expressao “shifting sands of time”, expressão que ilustra bem a nossa época em plena mudança.
Também sabemos que a areia não é fixa (estável), flui e pode até ser movediça... Ora, há muitos aspectos da nossa sociedade que parecem estar alicerçados sobre areia.
Seremos capaz de construir um novo paradigma digno do termo “humano?" É para isto que trabalhamos!
Queria aludir também à palavra “sustentável.” Sei que o termo ganha cada dia mais projecção. Contudo, é uma palavra por vezes mal entendida que pode provocar desconforto, ou retracção em muitas pessoas. Para uns representa só aspectos ambientais. Para outros, a economia foi sempre designada “sustentavel," e não há nada de novo neste termo!
Queria aludir também à palavra “sustentável.” Sei que o termo ganha cada dia mais projecção. Contudo, é uma palavra por vezes mal entendida que pode provocar desconforto, ou retracção em muitas pessoas. Para uns representa só aspectos ambientais. Para outros, a economia foi sempre designada “sustentavel," e não há nada de novo neste termo!
Por isso, prefiro a palavra "integrada" para descrever o tipo de economia que desejamos. É uma economia que integra todos os components no seu planeamento e na sua avaliacao: o capital, o emprego, o ambiente e a sociedade. A época dos “silos” está a aproximar-se do seu fim!
20 agosto 2010
O Cérebro e o Tempo de Reflexão
Um artigo no NYT, de 15 de Agosto, a propósito do efeito da tecnologia sobre o nosso cérebro e a importância do tempo de reflexão ajuda ilustrar o grande desafio que temos perante nós: "Attention is the holy grail."
Será possível encontrar uma resposta aos problemas da nossa sociedade sem sensibilizar a consciência? O mundo tecnológico permite isso? É bom ver que a pesquisa nesta área ganha importância e que o debate se intensifique entre neurocientistas, filósofos, lideres espirituais, e até economistas!
O Dalai Lama através do Mind and Life Institute contribui muito para este debate. [ ver aqui ]
Homeagem a Mário Murteira em Cabo Verde
"A Areia dos Dias" associa-se à distinção que o Governo de Cabo Verde atribuiu a Mário Murteira pelo valioso contributo que, desde 1976, tem vindo a prestar na consolidação do ensino em economia e gestão naquele País.
No seu discurso, Mário Murteira valoriza o esforço que vem sendo feito pelo Governo de Cabo Verde no sentido do desenvolvimento e do aprofundamento da democracia e fala de "globalização cultural".
Parabéns ao homenageado!
Para mais desenvolvimento ver aqui - »»
19 agosto 2010
Agenda para uma nova economia
De vários quadrantes vêm surgindo sinais de que é necessário e urgente preparar a emergência de um novo paradigma económico que coloque a pessoa humana no centro e sirva ao bem comum, incluindo nele a coesão social e a sustentabilidade.
Há cerca de três anos, ecoaram sinais de alarme em Wall Street que logo se propagaram a outras praças financeiras, pondo a nu as fragilidades do sistema financeiro globalizado. Depois vieram as respectivas sequelas para o funcionamento da economia e a irrupção de graves disfunções sociais de que os altos níveis de desemprego, a persistência da pobreza ou o elevado grau de concentração da riqueza e do rendimento são exemplo gritante.
É cada vez mais forte a convicção de que as medidas anti-crise até agora adoptadas pelos governos não passam de mera aspirina, útil para baixar a febre, mas sem alcance de cura.
David Korten com a sua proposta de agenda para uma nova economia defende a necessidade do desenvolvimento a partir dos recursos locais ao serviço das pessoas e suas comunidades.
Tenho tido conhecimento de que em alguns dos nossos municípios estão em curso experiências de economia local interessantes que bem mereceriam ser mais conhecidas e potencializadas. Mas, para quando uma estratégia de desenvolvimento nacional assente nos recursos e nas necessidades das populações, uma estratégia visando a consecução de uma riqueza real ao serviço da qualidade de vida e da sustentabilidade?
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Sustentabilidade
18 agosto 2010
Lucros e Emprego
"Adicionar lucros, subtrair trabalhadores"
É este o título sugestivo de um artigo de opinião (no Público de 8/8/10) do colunista do Washington Post Steven Pearlstein. Não o vou comentar. Mas vale a pena ver: tem coisas polémicas e que merecem discussão, e tem também análise de medidas tomadas pela Admistração Obama que mostram como, mesmo sem "superação do sistema" (de que Obama está, obviamente muito longe) a intervenção do Estado salvou muito da economia americana - um exemplo analisado por S. Pearlstein é o da indústria automóvel, a recuperar claramente após a intervenção na Chrysler e na GM.
Mas quanto às "coisas polémicas" merecia uma boa discussão esta: "...Só no mundo da propaganda da Câmara do Comércio é que as empresas existem para criar emprego. No mundo real, as empresas existem para criar lucros para os accionistas, não empregos para trabalhadores. É por isso que se chama capitalismo e não empreguismo": destaque meu, mas que não significa concordância, assim como quanto à finalidade das empresas, e basta pensar quer no "social business" (na perspectiva de Yunus) quer na economia social...
Fortunas e PIB
No passado 6/8, no Público, António Vilarigues intitulava assim o seu artigo de opinião:
As fortunas das QUATRO famílias portuguesas mais ricas totalizam 7,4 mil milhões de euros (quase metade do défice!!!) e depois vinha o título propriamente dito do artigo:
A culpa é do "sistema"
Fiquei a pensar: metade do défice é muita "massa"! Mas, pensando um pouquito mais: não é bem assim, o património não é propriamente rendimento...mas há património que esse, sim, pode dar e, às vezes (ou muitas vezes?...) dá mesmo muito rendimento! Ora, suponhamos que o défice anda um pouco acima dos 9% do PIB: "quase metade do défice" serão cerca de 4,5%. É muito! Não: e então a tal história do rendimento? Façamos, pois, um pouco mais de suposições: talvez uns 20% de rendimento desse tal património "movimentável" seja mesmo rendimento e poderia ajudar as "finanças públicas", através do tal imposto extraordinário sobre as grandes fortunas ou até ( por causa do "ai Jesus! que o capital foge!"...) sobre o rendimento proveniente de mais valias ou até (deixemos agora em paz "as grandes fortunas") vindo de um IRC sobre a banca igual ao que se aplica às restantes empresas ou ainda através de um mais actuante contole fiscal sobre os mais de 60% de empresas que dizem que não têm resultados.
Depois de, no fim do artigo, "utilizando uma conhecida expressão de "futebolês", Vilarigues concluir que "a culpa é do sistema" e acrescentar "A "solução passa pela sua superação", eu acho que não é preciso esperar tanto: medidas tais como as referidas acima já ajudariam e muito. Claro, que Portugal sozinho pouco pode, até porque o capital é muito "volátil"...
ps: 20% de 4,5% dá quase 1% do défice e isso é muito euro!...
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