19 agosto 2010

Agenda para uma nova economia

De vários quadrantes vêm surgindo sinais de que é necessário e urgente preparar a emergência de um novo paradigma económico que coloque a pessoa humana no centro e sirva ao bem comum, incluindo nele a coesão social e a sustentabilidade.
Há cerca de três anos, ecoaram sinais de alarme em Wall Street que logo se propagaram a outras praças financeiras, pondo a nu as fragilidades do sistema financeiro globalizado. Depois vieram as respectivas sequelas para o funcionamento da economia e a irrupção de graves disfunções sociais de que os altos níveis de desemprego, a persistência da pobreza ou o elevado grau de concentração da riqueza e do rendimento são exemplo gritante.
É cada vez mais forte a convicção de que as medidas anti-crise até agora adoptadas pelos governos não passam de mera aspirina, útil para baixar a febre, mas sem alcance de cura.
David Korten com  a sua proposta de agenda para uma nova economia defende a necessidade do desenvolvimento a partir dos recursos locais ao serviço das pessoas e suas comunidades.
Tenho tido conhecimento de que em alguns dos nossos municípios estão em curso experiências de economia local interessantes que bem mereceriam ser mais conhecidas e potencializadas. Mas, para quando uma estratégia de desenvolvimento nacional assente nos recursos e nas necessidades das populações, uma estratégia visando a consecução de uma riqueza real ao serviço da qualidade de vida e da sustentabilidade?

18 agosto 2010

Lucros e Emprego

"Adicionar lucros, subtrair trabalhadores"
É este o título sugestivo de um artigo de opinião (no Público de 8/8/10) do colunista do Washington Post Steven Pearlstein. Não o vou comentar. Mas vale a pena ver: tem coisas polémicas e que merecem discussão, e tem também análise de medidas tomadas pela Admistração Obama que mostram como, mesmo sem "superação do sistema" (de que Obama está, obviamente muito longe) a intervenção do Estado salvou muito da economia americana - um exemplo analisado por S. Pearlstein é o da indústria automóvel, a recuperar claramente após a intervenção na Chrysler e na GM.
Mas quanto às "coisas polémicas" merecia uma boa discussão esta: "...Só no mundo da propaganda da Câmara do Comércio é que as empresas existem para criar emprego. No mundo real, as empresas existem para criar lucros para os accionistas, não empregos para trabalhadores. É por isso que se chama capitalismo e não empreguismo": destaque meu, mas que não significa concordância, assim como quanto à finalidade das empresas, e basta pensar quer no "social business" (na perspectiva de Yunus) quer na economia social...

Fortunas e PIB

No passado 6/8, no Público, António Vilarigues intitulava assim o seu artigo de opinião:
As fortunas das QUATRO famílias portuguesas mais ricas totalizam 7,4 mil milhões de euros (quase metade do défice!!!) e depois vinha o título propriamente dito do artigo:
A culpa é do "sistema"
Fiquei a pensar: metade do défice é muita "massa"! Mas, pensando um pouquito mais: não é bem assim, o património não é propriamente rendimento...mas há património que esse, sim, pode dar e, às vezes (ou muitas vezes?...) dá mesmo muito rendimento! Ora, suponhamos que o défice anda um pouco acima dos 9% do PIB: "quase metade do défice" serão cerca de 4,5%. É muito! Não: e então a tal história do rendimento? Façamos, pois, um pouco mais de suposições: talvez uns 20% de rendimento desse tal património "movimentável" seja mesmo rendimento e poderia ajudar as "finanças públicas", através do tal imposto extraordinário sobre as grandes fortunas ou até ( por causa do "ai Jesus! que o capital foge!"...) sobre o rendimento proveniente de mais valias ou até (deixemos agora em paz "as grandes fortunas") vindo de um IRC sobre a banca igual ao que se aplica às restantes empresas ou ainda através de um mais actuante contole fiscal sobre os mais de 60% de empresas que dizem que não têm resultados.
Depois de, no fim do artigo, "utilizando uma conhecida expressão de "futebolês", Vilarigues concluir que "a culpa é do sistema" e acrescentar "A "solução passa pela sua superação", eu acho que não é preciso esperar tanto: medidas tais como as referidas acima já ajudariam e muito. Claro, que Portugal sozinho pouco pode, até porque o capital é muito "volátil"...
ps: 20% de 4,5% dá quase 1% do défice e isso é muito euro!...

16 agosto 2010

Entrevistas sobre o Futuro

Muito interessante a entrevista do economista José Félix Ribeiro, publicada no Público de 5 de Agosto no caderno P2. É uma análise prospectiva sobre a Europa e o Mundo, talvez pessimista, mas que nos elucida e convida à reflexão.

15 agosto 2010

mercado ético

O vídeo de apresentação do projecto de Hazel Henderson que a Maria José assinalou no blogue deixa antever a possibilidade de uma corrente de transformação profunda do sistema a partir de uma ética de responsabilidade social que quer o capital ao serviço das pessoas, do bem comum e da sustentabilidade ambiental. É encorajador ouvir os vários depoimentos vindos de académicos e gestores que vieram à tv americana defender o mercado ético.
Que fazer para que os canais de TV portuguesa ou, pelo menos, a TV pública se empenhe em programas semelhantes em vez de tanto tempo gasto com futebol, crimes e faits divers?
Agradeço à MJMA o ter assinalado este vídeo.

07 agosto 2010

a não perder!

No Diário de Notícias de hoje Anselmo Borges publica um artigo O Trabalho e o Ócio interessante sobre o trabalho e o ócio. Como é expectável, o Autor situa a sua reflexão no campo filosófico, mas o que escreve tem implicações na economia e na organização da sociedade. Trabalho e lazer hão de ser pedras basilares da construção do desenvolvimento humano sustentável.

02 agosto 2010

Ethical Finance

Descobri há pouco o trabalho de Hazel Henderson, que dirige um programa na Televisão Pública (PBS) nos EU chamado Ethical Markets TV e tem a publicação Ethical Markets.