De vários quadrantes vêm surgindo sinais de que é necessário e urgente preparar a emergência de um novo paradigma económico que coloque a pessoa humana no centro e sirva ao bem comum, incluindo nele a coesão social e a sustentabilidade.
Há cerca de três anos, ecoaram sinais de alarme em Wall Street que logo se propagaram a outras praças financeiras, pondo a nu as fragilidades do sistema financeiro globalizado. Depois vieram as respectivas sequelas para o funcionamento da economia e a irrupção de graves disfunções sociais de que os altos níveis de desemprego, a persistência da pobreza ou o elevado grau de concentração da riqueza e do rendimento são exemplo gritante.
É cada vez mais forte a convicção de que as medidas anti-crise até agora adoptadas pelos governos não passam de mera aspirina, útil para baixar a febre, mas sem alcance de cura.
David Korten com a sua proposta de agenda para uma nova economia defende a necessidade do desenvolvimento a partir dos recursos locais ao serviço das pessoas e suas comunidades.
Tenho tido conhecimento de que em alguns dos nossos municípios estão em curso experiências de economia local interessantes que bem mereceriam ser mais conhecidas e potencializadas. Mas, para quando uma estratégia de desenvolvimento nacional assente nos recursos e nas necessidades das populações, uma estratégia visando a consecução de uma riqueza real ao serviço da qualidade de vida e da sustentabilidade?
