É já no próximo dia 31 Outubro que se iniciam os seminários destinados a debater as reflexões e propostas apresentadas por cada um dos Grupos encarregados das diferentes áreas temáticas que integram o projecto Pensar a Educação. Portugal 2015.
O primeiro dos seminários incidirá sobre a Escolaridade Obrigatória e terá como moderadora Alfreda Fonseca, professora do ensino secundário.
O programa dos seminários e as condições de participação podem ser consultados aqui.
19 outubro 2014
18 outubro 2014
A propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza [ 17/10/2014 ]
Por ocasião da comemoração do Dia
Internacional da Erradicação da Pobreza (17 de outubro), o INE apresentou os resultados
definitivos do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2013,
incidindo sobre os rendimentos familiares de 2012.
Os indicadores “oficiais” apontam
inequivocamente para um acentuar do nível de pobreza, registando em 2012 uma
taxa de pobreza de 18.7%, a taxa mais elevada desde 2004. A intensidade da
pobreza, uma medida de quanto pobre são os pobres, atinge o valor mais elevado
desde o início da presente série baseada no Inquérito às Condições de Vida e
Rendimento (ICOR- EU SILC).
Mas estes números subestimam
claramente o agravamento do nível de pobreza efectiva registada em Portugal. A
queda dos rendimentos familiares levou a uma redução da linha de pobreza que
era em 2009 de 434 euros/mês e que em 2012 recuou para cerca de 408 euros/mês.
A consequência desta queda da taxa de pobreza é a de que muitos pobres deixaram
de ser considerados estatisticamente pobres apesar da sua situação não ter
melhorado ou mesmo, em alguns casos, se ter agravado.
Se mantivéssemos o valor real da
linha de pobreza de 2009 a evolução da incidência da pobreza seria diferente
como se mostra no gráfico seguinte:
A “neutralização” do efeito da queda de rendimentos sobre os indicadores de pobreza permite-nos ter uma percepção diferente, certamente mais próxima da realidade, da dimensão da pobreza em Portugal: a taxa de pobreza sobe de 17.9% em 2009 para 24.7% em 2012.
A publicação do INE chama ainda a
atenção para uma das vertentes mais preocupantes dos indicadores de pobreza: O
forte agravamento da pobreza a que estão sujeitos as crianças e os jovens. A
taxa de pobreza das crianças e jovens atinge os 24.4% e a sua intensidade da
pobreza ultrapassa os 33%. Isto com as estatísticas oficiais. Também aqui, se
corrigirmos o efeito da diminuição do limiar de pobreza os resultados são
tragicamente mais elucidativos: a proporção de crianças e jovens vivendo em
famílias pobres é de 30.9%.
Para quem insiste em negar o
processo de empobrecimento que a sociedade portuguesa enfrentou nos últimos
anos os números aí estão. Mas, como sempre, os piores cegos são os que não
querem ver.
Carlos Farinha Rodrigues17 outubro 2014
Sistemas privados de pensões - a quem servem?
Quando os governos procuram reduzir os apoios
públicos aos reformados, uma das formas que elegem é convencer os trabalhadores
a pouparem para fazer face ao seu futuro, servindo-se para tal de incentivos fiscais
ou de políticas que automaticamente os incluem em esquemas de reforma.
Segundo o semanário The Economist de 4 de
Outubro, no seu artigo ”Prudence penalised - European savers have suffered
terrible returns from pension funds”, não
será por inércia ou impaciência que as pessoas resistem a poupar para a velhice, mas por outras
razões que se prendem com encargos elevados de gestão dos fundos de pensões,
produtos pouco transparentes e baixas rendibilidades.
De facto, os resultados registados ao longo
de décadas pelos sistemas privados de pensões de vários países europeus
(Bélgica, Reino Unido, França, Itália e Espanha) têm sido negativos, como revela um Relatório recente
da Federação Europeia de Utilizadores de
Serviços Financeiros com o título “Pension Savings: The Real Return”, citado
pelo The Economist. Por exemplo, no período de 2000-2013, em Espanha, os planos
de pensões perderam 1,2% ao ano, em termos reais, e no Reino Unido perderam 0,7
% ao ano entre 2000 e 2012.
Os principais responsáveis por aqueles
resultados são os gestores dos fundos de pensões que se apropriam de elevadíssimas
comissões, prejudicando todos aqueles que lhes confiam as suas poupanças, fruto
de vidas inteiras de trabalho.
E tudo isto com a passividade das autoridades
europeias que “não conhecem o verdadeiro desempenho dos serviços que deveriam
regular e supervisionar”. O mundo financeiro continua gozar de um tratamento
permissivo que não deveria ser tolerado
em países democráticos, pois permite o domínio dos interesses de uma minoria
sobre os das pessoas comuns.
Quando, entre nós, continuam a crescer as
desigualdades e tantos lutam com dificuldades para manterem uma vida digna,
este é um problema que não pode deixar de nos preocupar.
16 outubro 2014
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: A Pobreza Mata
No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, um grupo de personalidades e de Organizações empenhadas em promover a erradicação da pobreza divulga uma mensagem que é um grito de alerta: A pobreza existe! A pobreza mata!
Nesta mensagem se denunciam os diferentes rostos da pobreza e as suas causas principais, anotam-se com grande preocupação os efeitos perniciosos de algumas políticas governamentais e clama-se por uma estratégia que tenha por horizonte erradicar a pobreza, numa lógica de solidariedade e coesão social, de desenvolvimento sócio-económico que a todos aproveite e, em particular, aos mais carenciados, de aprofundamento da cidadania com garantia de direitos básicos, sem esquecer a participação das pessoas em situação de pobreza na busca de respostas adequadas, respeitando a sua dignidade, os seus interesses e as suas aspirações, ouvindo-as e esclarecendo-as sobre o que se propõe, num trabalho conjunto e personalizado que contribua para o aumento da sua autoestima e o reforço da sua capacidade de construção de um projeto de vida.
A decisão da União Europeia de consagrar 20% do Fundo Social Europeu entre 2014 e 2020 para combater a pobreza é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.
A sociedade civil e a comunicação social têm um papel importante a desempenhar na mobilização dos cidadãos e dos decisores políticos aos vários níveis, Governo e Oposição, para fazer da erradicação da pobreza uma causa nacional.
O texto na íntegra pode ser consultado no site da EAPN Portugal.
11 outubro 2014
Vêm aí as reformas
Com o fim do programa de intervenção da
troika, enganadoramente aclamado como uma “saída limpa”, ouvimos agora, com
insistência, a necessidade de proceder à reforma do Estado, sem que, simultâneamente,
se clarifique o que se pretende com ela alcançar.
Para alguns, o principal objectivo a
prosseguir deveria ser o da melhoria da qualidade e da equidade na prestação de
bens e serviços essenciais que os poderes públicos prestam á comunidade, sem
descurar o controlo dos custos. Neste sentido, a criteriosa formação e a selecção dos mais competentes e idóneos para
os lugares – chave, aos diferentes
níveis da Administração, seriam aspectos
que, só por si, configurariam uma verdadeira reforma.
Mas no discurso oficial o que aparece com
mais frequência é a ideia de que deve prosseguir uma redução da presença do Estado
na economia, privatizando a toda a velocidade empresas, ainda que estratégicas,
em que a manutenção do centro de decisão nacional faria todo o sentido. O caso
da P.T. e a forma displicente como se avaliam os desenvolvimentos recentes, é
apenas um exemplo de como nada mais parece contar para além do efeito imediato
do encaixe financeiro com as privatizações.
Paralelamente, vai sendo propagada a falsa
ideia da superioridade da gestão privada, como argumento para reduzir o papel
do Estado como prestador de serviços no domínio social e que por ele devem ser
garantidos, como imperativo constitucional. A ideia de rever a Constituição é,
por alguns, apresentada como necessária para que as reformas permitam alcançar aquele objectivo, enquanto
outros seguirão o caminho de a tentar interpretar de forma conveniente aos seus
interesses.
Um argumento utilizado por estes últimos é o
de que basta o poder de regulação que o Estado exerce para que possa ser
entregue a privados (sector lucrativo ou sector social) a prestação daqueles
serviços, mas sem esquecer de lhes facultar os meios financeiros para que
cumpram obrigações de serviço público...
A fragilidade destes argumentos não resiste à
observação de indicadores de ineficiência de sistemas assentes em prestações
privadas.
Por exemplo, os serviços de saúde num sistema
privado como é o dos EUA, são incomparavelmente mais caros do que os que seguem
modelos europeus e as supostas maiores eficiências privadas nos cuidados de
saúde em Portugal comparam, de forma abusiva, custos de prestações muito
desiguais, por ignorarem as obrigações de serviço público do SNS.
O sistema de pensões é outro alvo dos que
defendem a redução do papel do Estado e apresentam para tal cenários
financeiros calamitosos. Ora as experiências de privatização da segurança
social, iniciadas no Chile e depois difundidas por outros países, falharam em
toda a linha .
Ainda que a questão da eficiência não
estivesse em causa, o fundamental é que entidades privadas não têm legitimidade
para arbitrar quando se trata de assegurar direitos sociais, a forma e a
intensidade como são prestados a diferentes grupos sociais, o equilíbrio intergeracional
e intertemporal.
Se alguma complementaridade com prestadores
privados pode ser benéfica em certos domínios específicos, importa que o poder
regulatório público não se deixe capturar por interesses alheios, sendo certo
que, para tal, uma salvaguarda recomendável é a manutenção do predomínio da
prestação pública, eficiente e com qualidade, dos bens ou serviços que concorrem para o bem -
estar social.
06 outubro 2014
Pensar a Educação.
- A escolaridade obrigatória
É já no próximo dia 31 Outubro que vai realizar-se o primeiro dos 7 seminários previstos no âmbito do projecto Pensar a Educação. Portugal 2015.
Desta vez, a reflexão incidirá sobre a escolaridade obrigatória, peça fundamental de todo o projecto educativo.
Como se escreve no preâmbulo do texto-base: Os últimos anos de políticas educativas revelam claramente que não podemos afirmar que “estamos de acordo nos princípios, só discordamos no modo de fazer”. Não raro, discordamos nos princípios, pelo que importa debatê-los, amarrando o mais possível essa discussão ao concreto da vida. Em certos casos poderemos reconhecer consensos, em muitos outros obter compromissos, noutros ainda aceitarmos que há caminhos diferentes e instâncias próprias de decisão.
O seminário é aberto, mas sujeito a inscrição prévia e tem como base a apresentação do texto elaborado pelo Grupo de Trabalho respectivo coordenado por José Maria Azevedo.
O texto na íntegra pode ser consultado aqui.
02 outubro 2014
Pensar a Educação. Portugal 2015
- A Formação dos Professores
Os professores constituem o recurso mais importante para o sucesso educativo e académico dos alunos. Inseridos e actuantes dentro de um sistema complexo – o sistema educativo, uma parte do sistema social mais geral – os professores produzem um trabalho cuja qualidade está longe de depender exclusivamente das competências pessoais e profissionais que detenham. Constrangimentos de natureza vária, externos e internos ao sistema educativo, tanto podem potenciar como limitar o alcance do trabalho dos professores: destacamos, no primeiro caso, o desenvolvimento económico, cultural e social do país e as condições material e psicossocial das famílias, e, no segundo, as políticas educativas e curriculares definidas para o país, o financiamento da educação, a administração e gestão do sistema e das escolas, o contexto específico onde cada escola se inscreve.
É com estas palavras que começa o texto de reflexão sobre a formação de professores coordenado pela Dra. Manuela Esteves e que servirá de base ao seminário sobre esta área temática, a realizar no dia 7 Novembro, no ISEG.
O texto na íntegra pode ser consultado neste blogue, na página dedicada a esta iniciativa.
Pensar a Educação. Portugal 2015
O seminário é aberto, mas sujeito a inscrição através do e.mail areiadosdias@gmail.com por razões logísticas.
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