Mostrar mensagens com a etiqueta Atualidade; Crise. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Atualidade; Crise. Mostrar todas as mensagens

14 agosto 2014

Watch Janet Yellen


In January, we had a post entitled “The Yellen Era?”  where we discussed how Yellen might herald a new approach to Fed policy.  For those watching the Fed so far, they might not detect any change.  Quantitative easing, initiated by Ben Bernanke, has been maintained although lightened to the current $35 billion per month.  Financial markets have benefitted most from this policy, and while unemployment in the US has declined and growth has picked up, the labor-force participation rate (at 62.9%) remains disappointing and the long-term outlook for the economy lackluster. 

In an interview with the New Yorker published on July 21, 2014, Janet Yellen acknowledged that the short-term objective of the Fed after the financial crisis was to avoid immediate disaster.  This was also discussed by Timothy Geithner in his book, Stress Tests: Reflections on Financial Crises, writing that bankers were “collateral beneficiaries” of the government’s bail-out of banks, designed to prevent a financial calamity from crushing the economy.  Now that the balance sheets of US banks have been restored, how can Main Street be revived?  What happens in the US is important as it points to what may happen elsewhere.
 
Yellen reaffirmed her passion for Main Street and talked about her mission “to help bring to an end, once and for all, a dark period in economics that began decades before the financial crisis” to one more concerned with employment and to “core aspects of human well-being” which is what she believes economics should be about. As a student of Tobin, she is passionate about social justice and public policy.  In discussing financial markets, she acknowledged that they are not always efficient.  This is indeed a departure from the blind faith in investor rationality that prevailed prior to the financial collapse.  In a quiet way, without causing waves, is Yellen gradually paving the way for, in her words, “public policy…[and] our social obligation…to make the world a better place”?
 
Many are watching the Fed…and Janet Yellen, the most liberal Fed Chair since Mariner Eccles of the Roosevelt administration, to see how she may live out her commitment to improve the economy for ordinary people, not just market players.

23 junho 2013

O discurso do Governante . . .

O relato que abaixo se faz talvez não reproduza exatamente como as coisas se passaram, mas foi a versão mais aproximada que consegui obter e que creio não estar muito longe da realidade.
 
Na sequência dos apupos feitos ao Governo, por ocasião do Conselho de Ministros realizado em Alcobaça, que terão deixado  muitos dos ministros seriamente preocupados  com o desagrado que a população aí manifestou e tem vindo a manifestar, um dos Ministros, de espírito mais aberto, foi encarregado de, através dos meios de comunicação social, realizar uma comunicação ao país que tivesse como objetivo devolver a confiança aos portugueses.
 
O Ministro, consciente das dificuldades da tarefa, e depois de ler o discurso da Presidente Dilma Roussef, do dia 21, entendeu encarregar um dos seus assessores de, a partir daquele discurso, preparar um primeiro esboço do seu.
 
O assessor entendeu que a melhor maneira de se desembaraçar da tarefa, seria começar por eliminar do texto original as partes do discurso que não eram adaptados à realidade portuguesa ou que, por outras razões o Governo não poderia subscrever. Abaixo, reproduzo o texto entregue pelo assessor depois de realizar essas supressões.
 
A partir deste texto o ministro começou a preparar o discurso final.
Com um traço de rasura vão indicadas as frases de texto que o Ministro eliminou. A encarnado vai o novo texto introduzido pelo Ministro.
 
Minhas amigas e meus amigos Portuguesas e portugueses,
Todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país. Elas são parte da mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar.
. . .
Como presidenta governante, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia.
. . .
Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira.
. . .
Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos.  Para que tal seja possível aAsseguro-vos a vocês: que vamos manter a ordem será mantida.
. . .
Para que a liberdade seja garantida para todos é necessário que os Esta mensagem exige serviços públicos não sejam um acumular de desperdício de mais qualidade. Atuaremos com perseverança em todos os domínios:  Ela quer escolas,  de qualidade; ela quer atendimento de na saúde,  de qualidade; ela quer um nos transportes públicos e, melhor e a preço justo; ela quer mais na segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar.
 
Irei conversar, nos próximos dias, com os representantes das autarquias os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da luta contra a despesa que corrói o Estado e impede o crescimento da competitividade, o desperdício melhoria dos serviços públicos.
. . .
Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os sindicatos, os parceiros sociais e os lideres partidários.
. . .  
Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a eficácia governativa participação popular.  No entanto é um erro É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos desde  que sejam mantidas as condições de estabilidade política no país.
. . .
Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à despesa improdutiva.
. . .
  A melhor forma de combater  o desperdício é fazê-lo a corrupção é com transparência e rigor.
 
Em relação à  criação de infraestruturas modernas físicas e outras,  para o país, Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas que ficarão a gerir a exploração dessas infraestruturas. e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que Eessa afetação de recursos não irá prejudicar outras necessidades que o país necessite de vir a fazer, nomeadamente, nos domínios da recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a da Saúde e da Educação.
. . .
Portuguesas e portugueses Minhas amigas e meus amigos,
O governo mais do que ninguém está apostado na recuperação do país. No entanto, não transigiremos Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com o combate ao deficit em que estamos empenhados, com a violência e com a arruaça.
 
Os sacrifícios que o governo sabe que os portugueses estão a suportar são, no entanto uma inevitabilidade se quisermos ter, tão rapidamente quanto possível, um Portugal onde todos possam ter o seu lugar.
 
Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.

30 abril 2013

Um Imperativo de Mudança

A Comissão Justiça e Paz da Diocese de Setúbal divulgou ontem um comunicado com o título UM IMPERATIVO DE MUDANÇA, a propósito da escolha do novo Bispo de Roma, o Papa Francisco, e dos 50 anos da encíclica de João XXIII Pacem in Terris.
Nesse comunicado, exprime-se a esperança de que, com o Papa Francisco, se realizem mudanças na Igreja ou da Igreja ela mesma no sentido de ser uma Igreja dos pobres e para os pobres (como disse o Papa) e que daí resultem impactos de mudança nas sociedades actuais.

Com efeito, (e cito o texto do comunicado) “Estamos perante um imperativo de mudança, até porque vivemos uma tremenda crise no nosso País, na Europa e no Mundo, uma crise económico-financeira com as inevitáveis consequências sociais e éticas, uma verdadeira crise de valores, ou melhor, uma crise do “sistema” pelo qual nos regemos há cerca de um século.

Um “sistema” que tem aumentado a produção de riqueza, mas que a concentra em poucas mãos, usando o motor do lucro, em vez da solidariedade. Mercantiliza o trabalho, sacrifica a própria natureza e gera imensos pobres e excluídos.”

A frase seguinte a este período vai ao cerne do problema, pois mais do que o funcionamento da economia, o que tem que ser alterado é o paradigma de vida, ou seja, a forma como a vida é pensada e vivida, desde o nível individual e familiar aos níveis comunitário, local, regional, nacional, transnacional, mundial. A tal frase é:

“É isto, o capitalismo que, mais que um sistema económico, é uma concepção de vida que inibe as liberdades e que “esmaga” os pobres.”

Em minha opinião, estas palavras não são apenas de uma clareza notável, como também constituem uma afirmação corajosa, face ao peso do pensamento dominante, inclusive entre os cristãos. A referência à inibição das liberdades e ao “esmagar” dos pobres fez-me lembrar a Resolução do Parlamento Europeu em Junho de 2012 que, no seu próprio título, considere as “Medidas de Austeridade – um perigo para a democracia e os direitos sociais”.

Nos parágrafos dedicados aos 50 anos da Pacem in Terris, mais uma vez o texto é corajoso. Efectivamente, há quem não goste de ouvir ou ler coisas como esta: centrar a ação dos cristãos na prática da solidariedade e no “cuidar dos outros”, valorizar o trabalho e humanizar as estruturas da sociedade – é a isto o que se chama política.

Da parte que é a conclusão do texto destaco ainda as seguintes duas frases:

- Este mundo, este País, necessita imperiosamente de mudança, de sinais nítidos e numerosos de solidariedade, de interesse pelo cuidar dos outros, de apoio aos pobres, aos excluídos, aos desempregados.

- Necessita imperiosamente de mudar as orientações que levam à corrupção e ao sectarismo, e isso só é possível com “homens novos”, reconhecidos pelo “ser” e não pelo “ter”, que amem e sirvam desinteressadamente o seu próximo e se misturem como fermento na massa, e não se divorciem da vida das instituições que traduzem a organização da sociedade em que nos integramos – e isto é acção política!

22 abril 2013

O erro na folha de Excel tem muito pouca importância!

Em meados da semana passada foi objeto de abundante divulgação, nos media, a existência de contradições entre os resultados de um estudo publicado em 2010 por dois académicos americanos (relacionando o comportamento da dívida pública e o crescimento do PIB) e os resultados de um estudo mais recente, da autoria de dois outros académicos de uma outra universidade. Eu próprio, num post anterior já aqui me referi ao assunto.
Acontece que, contrariamente ao que procurei sublinhar no referido post, os media e outros comentadores, em lugar de criticar a relação de causa e efeito estabelecida entre a divida e o crescimento, têm-se entretido, apenas, a chamar a atenção para erros existentes na folha de cálculo que permitiu deduzir os resultados publicitados com o primeiro estudo.
Naturalmente que a existência de erros é sempre lamentável, sobretudo, quando, com base em estudos com erros, se retiram ilações que vão suportar decisões de natureza política que se diria seriam diferentes se os erros não existissem.
O que se passou foi que no seu primeiro estudo os seus autores verificaram que “nas economias onde a dívida pública superava os 90% a taxa de crescimento média era de apenas 0,1%, em contraponto com crescimentos situados entre 3% e 4% nos países com dívida abaixo dos 90%”. A inversa, claro está, que também é verdadeira. Por isso, fica-se sem se saber se é a dívida elevada que provoca taxas de crescimento reduzidas, ou se são taxas de crescimento reduzidas que provocam percentagens de dívida elevadas.
No entanto, o que aconteceu foi que, como lhes vinha a jeito, os nossos, e não apenas os nossos, políticos de pacotilha disseram logo que o que era relevante era que a dívida impedia o crescimento.
Vem agora e segundo estudo denunciar que nos cálculos existiam erros e que, pelo contrário, em países com dívida superior a 90%, a taxa de crescimento era de 2,2%. Não faltou quem retirasse imediatamente a conclusão de que, afinal, a dívida não impedia o crescimento. Acontece que se a conclusão retirada do primeiro estudo era um abuso, esta- última não o é menos. Não é pelo fato de o erro da folha de Excel ter sido corrigido que as conclusões opostas passam a ser mais justificáveis.
Comparado com o erro que é o estabelecimento de relações de causa e efeito entre variáveis com uma mera relação estatística, o erro mencionado na folha de cálculo é uma minudência.
Afinal, os comentadores dos media e outros interessados deixaram-se inebriar pelo embrulho do presente de Natal sem se aperceberem de que a caixa estava vazia.
Entretanto o estado em que o país se encontra não deixa de ser, em grande medida, resultado destas brincadeiras. Muitos deveriam, certamente, ser despedidos por terem cometido um erro de tão graves consequências

Poderá a Inspeção Geral de Finanças fazer uma inspeção ao Governo?

Não pode, mas talvez devesse!

Como foi conhecido esta manhã, depois da mini remodelação do Governo, verificada há uma semana e tal, poderá estar para breve a substituição de mais dois Secretários de Estado.

Parece que a razão terá a ver com atos de gestão que esses Secretários de Estado poderão ter tomado no exercício de funções, anteriores, nos órgãos de gestão do Metro do Porto.

E sendo verdade, de que se poderá, afinal, tratar? Ilegalidades, malfeitorias ou qualquer outra coisa impensável? Nada disso, tudo clarinho. Apesar disso poderá vir a haver demissões.

A notícia chegou na sequência de uma inspeção levada a cabo pela Inspeção Geral de Finanças. E o que é que se descobriu? Descobriu-se que durante a sua gestão estes Senhores terão sido, se não total, pelo menos parcialmente, responsáveis pela subscrição de operações de swap que têm agora como consequência o aparecimento de prejuízos de mais de 800 milhões de euros. Parece que não será caso único.

Fizeram algo de mal? Não, procederam a operações que eram consideradas normais no mercado de capitais.

Vamos, então, lá ver de que é que se trata. Suponhamos uma empresa que necessita de realizar investimentos e que para se financiar tem de ir ao mercado de capitais colocar dívida (obrigações, por ex.). Os títulos de dívida têm de ser remunerados e suponhamos que o são de acordo com uma taxa que é, igual à taxa Euribor de 6 meses acrescida de um spread (adicional de risco para o banco) fixo. A empresa não conhece, antecipadamente, qual é a taxa de juro que vai pagar, porque ela está indexada à evolução da Euribor, mas gostaria de se poder precaver dos efeitos de evoluções que não pode prever.

Admitamos, agora, que um banco surge a fazer-lhe uma oferta, segundo a qual o banco contratualiza com a empresa uma taxa de juro fixa ao longo do tempo, que lhe permite saber quanto vai pagar nos vários anos que se vão seguir.

Quer a empresa, quer o banco, podem perder ou ganhar com este negócio. A empresa ganha se a taxa de juro da Euribor vier a subir, porque apesar de ela subir sabe que tem uma taxa de juro fixa que é inferior. Perde, se a taxa de juro descer e se vier a tornar-se inferior à taxa de juro contratualizada. Inversamente para o banco.

Infelizmente para o Metro (e todos nós) a taxa de juro do Euribor não tem cessado de descer, pelo que a taxa de juro contratualizada se tornou superior à taxa de juro do mercado. Lindo serviço, os gestores não foram capazes de prever a descida da taxa de juro e agora pagamos nós!

Consequência, os antigos gestores, hoje Secretários de Estado deixam de o ser.

E não deveria ser o mesmo o que deveria acontecer ao Governo e, em particular ao seu responsável e ao ministro Gaspar? Não contratualizaram eles com os portugueses, taxas de crescimento da economia positivas, diminuição do desemprego, aumento das exportações, melhoria da qualidade dos serviços públicos, etc.? E não foi exatamente o contrário o que se verificou?

Talvez, portanto, se tal fosse possível, devesse a Inspeção Geral de Finanças realizar uma inspecçãozinha ao Governo e daí tirasse as devidas consequências.
Com todas as evidências que já existem não iria, certamente, ter muito trabalho!

19 abril 2013

As correlações, as causas e outras que tais

A estatística é um instrumento fundamental para os economistas (e não apenas para eles) interpretarem os fenómenos económicos e os comportamentos dos agentes. No entanto, são frequentes os casos em que, como na anedota do cavalo do inglês, se fazem utilizações abusivas do instrumento tornando as conclusões a que se pretende ter chegado completamente inaceitáveis.
 
Esta semana fomos surpreendidos com a divulgação da notícia de um estudo realizado por académicos de uma prestigiada universidade dos EUA (Massachussets) que punha em causa os resultados de um outro estudo mais antigo, realizado pelos economistas e académicos Keneth Rogoff e Carmen Reinhart (Harward).
A notícia não passaria de mais uma, não fora o caso de o estudo posto em causa ter vindo a constituir um dos suportes fundamentais à afirmação de que os países fortemente endividados têm que diminuir a sua dívida para depois poder crescer.
O que o estudo referido nos vem dizer é que nada está provado sobre esta matéria o que é mais uma justificação para a irracionalidade das medidas austeritárias que têm vindo a ser adotadas no nosso país. Vejamos do que é que se trata.
O estabelecimento ou identificação de correlações entre variáveis constitui um dos instrumentos estatísticos mais correntemente utilizados para o estudo dos fenómenos económicos. No entanto, como todos os instrumentos, também para este existem limites à sua utilização.
Diz-se que existe uma correlação entre duas ou mais variáveis se ao estudarmos o seu comportamento verificamos que existe uma relação entre os seus comportamentos (por ex., quando chega a primavera as árvores começam a florir; ou, porventura, quando as árvores começam a florir, chega a primavera).
Dizer que existe uma correlação, é dizer que quando uma variável se comporta de uma certa maneira, a outra tem um outro comportamento que, também, já se conhece. É tudo quanto a correlação nos diz. Só que estabelecida a correlação há quem faça explorações que nos colocam, com frequência, perto do abismo.
No início da aprendizagem da estatística todos são alertados para a circunstância de que o facto de existir uma correlação nada diz sobre se existe alguma relação de causa e efeito entre as variáveis:
  • A primavera chega quando as árvores ficam em flor?
  • As árvores ficam a flor quando chega a primavera?
  • Ou nem uma coisa nem outra e apenas se pode dizer que os dois fenómenos se verificam simultaneamente?
É precisamente uma questão deste tipo que se coloca quando se diz que é preciso diminuir o endividamento para pode começar a crescer. Mas porque é que não é o contrário, ou seja, porque é que não se diz que é preciso começar a crescer para diminuir o endividamento?
É possível sair disto? Claro que sim. É aqui que entra na dança a economia e a economia ao serviço da sociedade. Não se trata de nenhum coelho na cartola, trata-se, antes, do esforço de compreensão de como funciona a sociedade, dos mecanismos económicos que lhe estão subjacentes  da sociedade que se deseja possuir.
É assim que se desenvolvem as teorias económicas, mas como se compreende elas têm subjacente uma certa visão da realidade, ou dito de outra maneira, um certo pressuposto ideológico ou uma certa opção por um modelo de sociedade.
Mas perguntar-se-á, então para que servem as correlações? As correlações permitem-nos ir esgravatando o terreno, mas nada nos dizem sobre as relações de causa e efeito entre as variáveis. A determinação do que é causa de quê só pode ser dada pela teoria.
O que até aqui foi dito constitui uma excelente denúncia da insustentabilidade da autoridade tecnocrática ou científica com que pretendem embrulhar-se certos economistas ou académicos.
Voltemos à questão da dívida e do crescimento. Deve-se acabar com a dívida para depois começar a crescer ou deve-se começar a crescer para acabar com dívida?
O Governo do país optou pela primeira alternativa. Os resultados inicialmente antecipados estão longe de ser visíveis e os portugueses encontram-se cada vez mais num beco sem saída e numa situação de desesperança, ingredientes que não permitem que qualquer nação possa ser considerada viável: a dívida aumenta exponencialmente, o crescimento está cada vez mais anímico e a taxa de desemprego não cessa de aumentar.
Quanto à segunda alternativa poderão os mais pessimistas interrogar-se sobre a sua viabilidade, mas uma questão torna-se inevitável: como é possível pagar dívida e juros crescentes, se a fonte das receitas (o crescimento da economia) definha?
 

28 janeiro 2013

As palavras que é preciso ouvir, para que nos inquietemos



A Prof.ª Manuela Silva deu ontem (dia 27) uma entrevista à Radio Renascença que  não pode passar desapercebida por quem se inquieta e necessita de ser inquietado acerca dos caminhos de deriva (ideológica) por onde tem vindo a ser levado o nosso país.

A entrevista pode ser ouvida aqui. São 25 minutos de libertação de angústias!

Entre outras questões relevantes destaco:

- As razões apontadas segundo as quais o Estado Social não pode ser posto em  causa, embora se deva pensar que as suas questões de eficiências nunca devam ser descuradas;

- A discussão que tem (ou não tem) vindo a ser feita ignora objetivos para se fixar, apenas, em meios (as despesas);
- Parte de pressupostos ideológicos preconceituosos, sem nunca ter a a coragem de fazer a sua explicitação  ;
- As armadilhas do Relatório do FMI;
- A necessidade garantir a universalidade dos bens públicos;
- A seleção discriminatória dos doentes nos hospitais privados, quando se pretende que estes substituam a oferta pública;
- As contradições de objetivos que enferma a política de austeridade;
- A concentração de património e de riqueza e o retrocesso civilizacional na progressividade dos impostos;
- Os bloqueamentos cada vez mais reforçados da política que conduz ao empobrecimento do país;
- A emigração e as reformas antecipadas como processo de aceleração desse empobrecimento quando se sabe que aí estão envolvidas parte dos nossos técnicos mais qualificados;
- As políticas do Governo e o afastamento das realidades do país;
- O deficit da comunicação social quando trata apenas da espuma superficial, sem cuidar do que passa por baixo;
- A existência de reflexão e alternativas que tem vindo a ser realizada pela comunidade académica (Rede Economia com Futuro) e outros grupos da sociedade Civil, como é o caso do grupo Economia e Sociedade, que anima este blogue.

Já agora vale a pena prestar atenção à importante  entrevista do Prof. João Ferreira do Amaral, dada ao Jornal Público (27-01-13) e cuja referência pode ser encontrada aqui