Amanhã começa 2014, que se anuncia cheio de perplexidades e
incertezas, tanto no plano nacional, como a nível mundial.
É tempo de admitir que precisamos de ideias e projectos
audaciosos que vão ao encontro dos novos desafios a enfrentar, para além do horizonte
míope do curto prazo.
Não há como evitar os problemas que se perfilam no ano que
vem. O primeiro passo é mudar de atitude: da indiferença à responsabilidade
pela busca de soluções.
Neste escrito quero trazer para a agenda política e da
sociedade civil um duplo desafio.
Portugal vem assistindo, sem reacção adequada, à
desertificação do seu território do interior, por efeito de baixa natalidade,
emigração por razões económicas e decisões políticas de esvaziamento de
serviços de proximidade fundamentais para uma boa interacção urbana (fecho de
centros de saúde, escolas, tribunais, postos de correio). Se nada for feito
para contrariar esta tendência, tudo o que podemos esperar é um país mais pobre
e desigual.
Por outro lado, é de prever que continuará a verificar-se
uma pressão crescente de refugiados (sírios, egipcios, libaneses e outros) que,
justamente, procuram sobreviver aos conflitos religiosos e étnicos que vêm
alastrando naqueles países. Como vai reagir a Europa, o continente dos Direitos
Humanos? Com leis cada vez mais rigorosas e defensivas? E Portugal, como pode
reagir?
Por que não um programa que combine repovoamento dos
territórios em processo de desertificação e um plano humanitário de acolhimento
dos refugiados, proporcionando-lhes meios adequados de integração?
Não se trata de subestimar a necessidade de resolver o grave
problema de falta de emprego no plano nacional que vá ao encontro da melhor
satisfação de necessidades básicas por solucionar nos vários territórios.
Trata.se, antes, de conceber um plano articulado de desenvolvimento local que
conjugue estes objectivos, através de uma acção concertada entre o poder
central e autárquico, sem esquecer o papel que podem desempenhar as múltiplas
instituições da sociedade civil.